Histórias de Quem Coopera: participantes do Dia C revelam como o voluntariado também transforma quem ajuda
O Dia de Cooperar é marcado por ações que levam solidariedade, conhecimento e oportunidades para diferentes comunidades. Mas os impactos do voluntariado não ficam apenas em quem recebe as iniciativas. Para quem participa, cada experiência também pode trazer aprendizados, revelar novas habilidades e deixar lembranças que permanecem muito depois do fim de uma ação.
É o que mostram três participantes do Dia C ligados a cooperativas de crédito. Com diferentes trajetórias e experiências, Kalline, Magno e Luzi compartilham histórias que revelam diferentes formas de cooperar e transformar realidades.
Quando o voluntariado revela novos talentos
Analista de Investimento Social e Estratégico do Sicoob Unique BR, Kalline Aniz de Melo participa do Dia C há três anos e acompanha de perto a mobilização dos colaboradores para a realização das ações.
Atuando também com o Instituto Sicoob, ela trabalha para levar iniciativas de educação financeira às comunidades e destaca que os voluntários são fundamentais para que esses projetos aconteçam.
Ao longo dessa trajetória, Kalline percebeu que o Dia C também cria oportunidades para que os próprios colaboradores descubram novas habilidades.
“Nesses três anos, pude perceber muitos voluntários saindo da sua zona de conforto e percebendo que podem usar um pouquinho mais do que imaginavam e que têm muito a entregar para a comunidade.”
Entre as lembranças, ela cita situações que mostram justamente esse potencial. Quando uma superintendente conhecida pelo perfil mais sério assumiu diferentes vozes para interpretar personagens durante uma ação e quando uma colaboradora bastante tímida se arriscou a criar músicas para encantar as crianças.
Para Kalline, são experiências que mostram que o Dia C vai além da ação realizada na comunidade.
“As ações do Dia C são, sim, para a comunidade, mas acabam impactando o nosso dia a dia na cooperativa e a nossa vida enquanto colaboradores.”
Uma oficina de pipas e uma lição sobre cooperação
Cooperado da Sicredi União MS/TO e Oeste da Bahia, Magno da Fonseca Cação participa do Dia C desde o início do movimento em Mato Grosso do Sul. Entre tantas experiências, uma situação simples ficou marcada pela espontaneidade de uma criança.
Em 2022, durante uma ação realizada no parque Tarsila do Amaral, em Campo Grande, Magno ajudava a confeccionar pipas para as crianças. Em meio a uma grande fila, um menino observou o trabalho e disse que as pipas feitas pelos voluntários não estavam sendo feitas corretamente. A solução veio do próprio garoto.
“O menino chegou e falou: ‘Tio, o senhor não sabe fazer pipa não? Vamos fazer de novo essa pipa aí que está tudo bagunçado’.”
Magno aceitou a ajuda. Logo, outras crianças se juntaram à atividade e a mesa, que antes era ocupada apenas pelos voluntários da cooperativa, virou um espaço coletivo de construção.
“Chegou mais uns dois ou três, esparramamos tudo e fizemos juntos. A fila desenrolou e acho que a gente conseguiu passar a ideia de cooperação dentro da comunidade, pelo menos para aquela gurizada que estava na fila da pipa.”
Para ele, a experiência resume um dos principais propósitos do Dia C: transformar uma ação simples em uma oportunidade de vivenciar, na prática, o espírito cooperativista.
Em outra edição, dessa vez mais recente, uma situação semelhante mostrou como a cooperação pode fazer com que uma iniciativa continue gerando impacto mesmo depois do encerramento do evento. Ao final de uma ação realizada no Poliesportivo Mamede Assem José, algumas mercadorias utilizadas no Mercadinho Coop, um circuito de educação financeira feito pelas cooperativas de crédito, haviam sobrado.
Magno sugeriu que os produtos fossem destinados à Liga do Bem, instituição que também participava da ação voluntária.
A articulação entre os voluntários resultou na doação dos materiais, permitindo que a instituição os utilizasse em novas atividades.
“Acho que essa é a grande meta: perenizar aquele ato cooperativo que foi realizado no Dia C.”
O Dia de Cooperar é uma ação contínua
O Dia C faz parte da trajetória da conselheira de Administração da Sicredi União MS/TO e Oeste da Bahia, Luzi Jorge dos Reis Vergani, há 14 anos.
Entre tantas histórias, uma experiência vivida depois de uma ação permanece especialmente viva em sua memória.
Na ocasião, algumas famílias haviam sido contempladas com cadernetas de poupança. Ao visitar uma delas, Luzi conheceu uma mulher que havia acabado de dar à luz e vivia em uma situação bem delicada.
Poucos dias depois, a família enfrentou uma nova dificuldade: o pai das crianças sofreu um acidente e ficou impossibilitado de trabalhar. Diante da situação, a cooperativa e voluntários se mobilizaram para oferecer apoio à família.
“Nós juntamos forças e atendemos essa família até chegar no outro Dia C.”
A experiência, embora tenha acontecido em meio a uma situação difícil, tornou-se uma das lembranças mais significativas de Luzi.
“Apesar de ser muito difícil para aquela família e para nós também, foi uma satisfação muito grande poder contribuir. E tudo aconteceu a partir do Dia C.”
O impacto que permanece
As três histórias mostram que o voluntariado pode assumir diferentes formas. Pode estar em uma criança ensinando um adulto a fazer uma pipa, em um colaborador descobrindo talentos que desconhecia ou em uma rede de pessoas que decide continuar ajudando uma família mesmo depois do encerramento de uma ação.
Em comum, está a capacidade de transformar encontros em atitudes e ações pontuais em experiências que permanecem.
Os relatos de Kalline, Magno e Luzi fazem parte da série especial Histórias de Quem Coopera, iniciativa do Sistema OCB/MS que, ao longo de agosto, apresenta experiências de participantes do Dia C em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. A série mostra que, por trás de cada ação, existem pessoas e histórias que ajudam a explicar por que cooperar transforma. Acompanhe os próximos episódios também nas redes sociais do Sistema OCB/MS.