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Mulheres fortalecem o cooperativismo em Mato Grosso do Sul: participação cresce, desafios persistem

Mulheres fortalecem o cooperativismo em Mato Grosso do Sul: participação cresce, desafios persistem
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Entrevista com Dalva Caramalac, superintendente do Sistema OCB/MS, destaca avanços, liderança feminina e o impacto das mulheres na governança e no desenvolvimento das cooperativas do estado.

 

O cooperativismo brasileiro é reconhecido mundialmente por sua força econômica e impacto social. Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro, divulgado pelo Sistema OCB, o país possui mais de 20 milhões de cooperados, sendo que 41% deles são mulheres. Em Mato Grosso do Sul, esses números são ainda mais expressivos: as mulheres representam 42% dos cooperados e ocupam a maioria do quadro funcional das cooperativas, com 55% dos colaboradores.

Para falar sobre esse cenário, o Canal do Boi entrevistou a superintendente do Sistema OCB/MS, Dalva Caramalac, que há mais de 40 anos acompanha o cooperativismo. Ela destaca que a participação feminina evoluiu de forma significativa, não apenas em cargos de liderança, mas também na governança das cooperativas. “Quando comecei, nas 27 unidades estaduais da OCB no Brasil, eu era a única superintendente. Hoje já temos duas presidentes, além de várias lideranças femininas em conselhos administrativos, fiscais e diretorias. Ainda não chegamos ao ideal, mas avançamos bastante”, afirma Dalva.

Ela ressalta que, apesar do progresso, ainda existe um “gap” entre a participação feminina como cooperadas e nos cargos de liderança. Enquanto as mulheres representam cerca de 42% dos cooperados no estado, apenas 12% ocupam posições de gestão. “O objetivo é preparar as mulheres para que assumam cargos de decisão quando se sentirem prontas. Não basta ter vontade da OCB; as cooperativas precisam reconhecer que a participação feminina agrega valor ao negócio”, explica.

O avanço da presença feminina no cooperativismo também está ligado a programas estruturados, como o Elas pelo COOP, uma iniciativa nacional que prepara e qualifica mulheres para cargos de liderança e governança nas cooperativas. Segundo Dalva, muitas mulheres ainda não se candidatam a vagas de liderança porque buscam cumprir 100% das exigências para se sentirem prontas. O programa visa oferecer formação, capacitação e acompanhamento para reduzir essa barreira. “O processo é lento, mas consistente. Queremos que as mulheres tenham autonomia para decidir quando e como assumir posições estratégicas dentro das cooperativas”, acrescenta.

Além do papel da liderança feminina, Dalva destaca características naturais que contribuem para o sucesso das mulheres nas cooperativas, como colaboração, engajamento e visão coletiva. “Elas não buscam vaidade ou cargos apenas pelo status. Estão sempre participativas e colaborativas, o que influencia diretamente nas decisões estratégicas e na gestão do negócio”, reforça.

O cooperativismo em Mato Grosso do Sul representa mais de 13% do PIB estadual e é reconhecido como parceiro estratégico do governo, especialmente no setor agroindustrial. Nesse contexto, a inclusão feminina é vista não apenas como uma questão de equidade, mas como fator essencial para o fortalecimento institucional, inovação e desenvolvimento sustentável das cooperativas.

Dona Dalva deixa uma mensagem inspiradora para mulheres cooperadas e do setor agro: “Não se intimidem. Qualifiquem-se, preparem-se, acreditem em si mesmas e participem ativamente da governança das cooperativas. A participação feminina faz diferença na gestão e na construção de um cooperativismo mais justo e colaborativo”.

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