Pesquisa aponta caminhos para cooperativas inovarem
Levantamento do Sistema OCB identifica desafios; soluções do InovaCoop ajudam a dar os próximos passos
As cooperativas brasileiras demonstram disposição para inovar, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar ideias em projetos contínuos. Na 3ª Pesquisa de Inovação no Cooperativismo Brasileiro, realizada pelo Sistema OCB com 1.340 cooperativas, 77% das respondentes se descreveram como abertas à inovação. Por outro lado, apenas 13,6% afirmaram ter objetivos de inovação com metas e acompanhamento formalizados.
Os desafios mais citados foram a falta de orçamento, apontada por 51,1% das cooperativas que responderam à pergunta, e a resistência à mudança, mencionada por 47,3%. A estrutura também faz diferença na execução: entre as cooperativas com área de inovação e equipe dedicada, 69,6% realizaram seis ou mais projetos nos dois anos anteriores à pesquisa. O percentual foi de 17,5% entre aquelas em que profissionais acumulam essa função e de 4,1% entre as que não possuem estrutura dedicada.
“Há uma base importante para avançar: as cooperativas reconhecem o valor da inovação. O desafio é criar condições para que ela faça parte das decisões e da rotina, com liderança envolvida, prioridades definidas e acompanhamento dos resultados”, afirma Guilherme Costa, gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB.
A demanda por apoio é clara. Capacitação e formação foram indicadas por 69,6% das cooperativas que responderam à pergunta sobre o que esperam do Sistema OCB. Os resultados apontam uma oportunidade: aproximar as cooperativas de ferramentas que já estão disponíveis.
Uma solução para cada ponto de partida
O InovaCoop reúne conteúdos e ferramentas, oficinas de inovação, conexão com startups e radar de para acesso a financiamentos públicos e privados para desenvolvimento de projetos e programas. O portfólio foi organizado para atender cooperativas de diferentes portes e níveis de maturidade. Além disso, as Organizações Estaduais (OCEs) podem orientar cada cooperativa na escolha do primeiro passo. Basta entrar em contato e informar a disponibilidade em investir nas iniciativas.
Para uma cooperativa que deseja inovar, mas ainda não sabe como organizar o trabalho, os Conteúdos para Inovar oferecem acesso a ferramentas, tendências, boas práticas e capacitações. Eles podem servir de ponto de partida para identificar um problema, reunir uma equipe e planejar uma iniciativa. Já as Oficinas de Inovação, solicitadas por meio das OCEs, oferecem experiências práticas para desenvolver competências e envolver as pessoas no processo.
“Uma cooperativa não precisa começar com um projeto grande. Ela pode escolher um problema do atendimento ao cooperado, por exemplo, reunir as pessoas que lidam com ele diariamente e usar uma oficina para construir e testar alternativas. Esse primeiro resultado ajuda a mostrar à equipe o valor da inovação”, sugere Hellen Back, analista do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB.
Esse apoio também dialoga com a resistência à mudança identificada na pesquisa. Atividades práticas permitem que dirigentes, equipes e cooperados participem da construção das soluções, conheçam seus objetivos e avaliem resultados. Segundo o levantamento, 69,2% das respondentes à pergunta sobre formação tiveram apenas ações pontuais, conversas ou nenhuma atividade nessa área; 30,9% relataram formação estruturada.
“Quando a equipe participa da identificação do problema e da construção da resposta, a inovação deixa de ser uma ideia distante. As oficinas podem ajudar a criar essa experiência compartilhada e a desenvolver capacidades que a cooperativa continuará usando em outros projetos”, diz Hellen.
Recursos, parceiros e inteligência artificial
A falta de orçamento foi o desafio mais citado pelas cooperativas. Nesse caso, o Radar de Financiamento pode ajudá-las a conhecer oportunidades de recursos e a avançar na elaboração de projetos. A necessidade de informação aparece nos dados: 44,3% das respondentes à questão sobre fomento desconhecem esse ecossistema e 35,4% estão começando a conhecê-lo. Entre as dificuldades para acessar apoio, 56,3% citam a falta de informação sobre oportunidades. O acesso ao Radar ajuda a cooperativa a encontrar caminhos e a se preparar para buscá-lo.
“Uma cooperativa pode ter uma boa proposta para reduzir perdas, melhorar um serviço ou testar uma tecnologia e ainda não saber onde buscar apoio. O Radar é uma porta de entrada para conhecer oportunidades. A partir daí, é preciso verificar os requisitos e preparar um projeto consistente”, explica Hellen.
A Conexão com Startups atende cooperativas que já identificaram um desafio e buscam parceiros para desenvolver ou testar uma resposta. A pesquisa mostra espaço para ampliar essas relações: 15,2% das respondentes à pergunta sobre parcerias já realizaram projetos de inovação com startups, enquanto 16,6% citaram universidades e centros de pesquisa. A solução do InovaCoop aproxima cooperativas e startups por meio de uma metodologia voltada à inovação aberta.
“Se o desafio é melhorar um processo logístico ou a experiência do cooperado, a cooperativa pode procurar parceiros que já trabalham com tecnologias aplicáveis àquela necessidade. A conexão começa por definir bem o problema e o resultado esperado; depois vem a busca por uma solução que faça sentido para sua realidade”, acrescenta a analista.
A inteligência artificial é outro tema que exige orientação. Segundo a pesquisa, 60,9% das respondentes às perguntas sobre o assunto já utilizam alguma solução de IA, mas apenas 9,4% possuem uma política institucional consolidada. As capacitações e oficinas do portfólio de inovação podem apoiar a discussão sobre aplicações práticas, critérios de uso e preparação das equipes.
“Antes de adotar uma ferramenta, vale perguntar qual tarefa ela deve melhorar, quem será responsável pelo uso e como o resultado será avaliado. Uma oficina de inteligência artificial pode ajudar a equipe a sair da curiosidade e trabalhar com uma aplicação concreta”, exemplifica Hellen.
As cooperativas interessadas podem consultar a página do InovaCoop e entrar em contato com a sua OCE. Também é possível escrever para
“Os dados da pesquisa são um convite à ação. A cooperativa pode começar identificando seu desafio mais urgente e procurar a Organização Estadual para conhecer as soluções disponíveis. Há caminhos para preparar pessoas, encontrar parceiros e buscar recursos, de acordo com o estágio de cada organização”, conclui Hellen.
Sobre a pesquisa — A terceira edição da Pesquisa de Inovação no Cooperativismo Brasileiro recebeu respostas de 1.340 cooperativas a um questionário de 38 perguntas. As bases variam conforme o item, porque nem todas as cooperativas responderam a todas as questões.
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