A transparência é um dos pilares do cooperativismo, modelo de negócios pautado em princípios como adesão voluntária, gestão democrática e autonomia, por exemplo. Por isso, o Sistema OCB realizou, nesta quarta-feira, em Brasília, um debate sobre a estruturação de um programa de integridade empresarial. A iniciativa interna, que contou com a participação dos gestores das três casas que compõem o Sistema (OCB, Sescoop e CNCoop), teve como facilitador o ex-ministro do Planejamento, Valdir Simão.
Ele fez um breve relato sobre a Lei 12.846/13, também conhecida como Lei Anticorrupção ou Lei da Empresa Limpa, e seu decreto regulamentador (nº 8420/15) que dispõe sobre a responsabilização administrativa de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira.
Para Valdir Simão, esse marco regulatório tem dois vieses importantes. O primeiro é que representa um avanço ao prever a responsabilização objetiva, no âmbito civil e administrativo, de empresas que praticam atos ilícitos; o segundo, é a oportunidade de implantar nas empresas, organizações e instituições, um conjunto de mecanismos e procedimentos internos, tais como auditorias, elaboração de códigos de conduta ou ética, que se combata atos ilícitos, por exemplo.
PERFIL
Valdir Moysés Simão foi ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão de 18 de dezembro de 2015 até 12 de maio de 2016. Possui Master em Direção e Gestão de Sistemas de Seguridade Social pela Universidade de Alcalá (Espanha) e graduação em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (São Paulo).
Iniciou sua carreira no serviço público em 1987, como auditor-fiscal da Receita Federal. No ano de 2000, foi superintendente do Instituto Nacional do Seguro Social no Estado de São Paulo. No período de agosto de 2000 a março de 2003, foi diretor da receita previdenciária do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De agosto de 2005 a abril de 2007, foi presidente do Instituto Nacional do Seguro Social. Entre 2007 e 2008, atuou como secretário-adjunto da Receita Federal do Brasil e assessor especial do Ministério da Previdência Social. Em dezembro de 2008 assumiu novamente a Presidência do Instituto Nacional do Seguro Social onde permaneceu até 2010.
No ano de 2011, foi secretário de estado da Fazenda do Distrito Federal. De 2011 a 2013, foi secretário-executivo do Ministério do Turismo. Em seguida, atuou como assessor especial do Gabinete Pessoal da Presidente da República, e, em 2014, assumiu a Secretaria-Executiva da Casa Civil da Presidência da República até ser convidado para o cargo de ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), cargo exercido de janeiro a dezembro de 2015.
CONFIRA A ENTREVISTA!
Hoje em dia, fala-se muito em programas de integridade empresarial. Há até um termo em inglês, para isso: o compliance. Como o senhor define esse tipo de programa?
São mecanismos de política de procedimentos, de códigos de ética, de canal de denúncia, que garanta que, no âmbito das empresas e organizações, as decisões sejam tomadas de forma íntegra, e que as relações também se deem de forma íntegra, com transparência, preservando a higidez da empresa e respeitando a parceiro, o agente público que está do outro lado. Isso garante que nenhum ato ilícito seja praticado contra terceiros ou contra a própria empresa.
Porque as empresas estão cada vez mais preocupadas com essa questão?
Esse movimento é muito recente no Brasil. A lei anticorrupção que foi aprovada em 2013 estabeleceu que os programas de integridade que protegeriam as empresas que, por ventura, tenham sido, por intermédio de seus agentes, beneficiadas por um ato ilícito, passam a poder ser punidas, a partir dessa nova legislação, com uma multa que pode chegar a até 20% do seu faturamento anual e o programa de integridade é uma grande ferramenta para que a empresa se proteja, evite que terceiros, em seu nome, pratiquem atos ilícitos e, também, que permita que, eventuais desvios de conduta possam ser identificados.
Mas mais que isso, é importante dizer que estamos passando por um momento no Brasil em que as pessoas cada vez mais querem transparência, ética e integridade. E não é só por parte dos governos, querem também das empresas, dos prestadores de serviço. É um anseio geral de que todas as pessoas ajam sempre conforme a lei, respeitando a legislação em todos os níveis (trabalhista, ambiental, social, no mercado), evitando, assim, a prática de corrupção, que causou tanto mal aqui no Brasil.
Qual a vantagem de se ter uma área voltada às boas práticas de integridade empresarial?
O que se pretende é que todas as decisões sejam tomadas com transparência, visando o bem comum. Para isso, o que as organizações fazem sempre é ter uma área ou uma instância responsável pela gestão do programa de integridade que fará toda a interlocução interna, para que a organização se mobilize, havendo, inclusive, um patrocínio inequívoco da alta administração, do conselho, dos dirigentes todos e, a partir daí se construa um conjunto de políticas e procedimentos que tenham como matriz, um código de conduta que seja aplicável a todo mundo.
Essas políticas e procedimentos procuram identificar a partir de um mapeamento de riscos, quais as situações de vulnerabilidade em que pode acontecer a prática de um ato ilícito. Por exemplo: que comportamento se deve ter na interação com o Poder Público? Qual a política para oferta de brindes, para doações ou patrocínios? Que cuidados se deve ter com pagamentos para evitar lavagem de dinheiro e conflito de interesses? Essa política passa a vincular todas as pessoas da empresa e, também, terceiros que queiram se relacionar com a empresa/organização, como prestadores de serviços, por exemplo.
A partir dessas políticas se estabelecem mecanismos para identificar um desvio de conduta. Por exemplo: um canal de denúncias, que deve ser acessível a todos, que protejam as pessoas que denunciam de boa-fé e que favoreçam a apuração interna, quase sempre por um comitê de conduta ou comitê de ética, a quem compete tanto investigar se o que foi denunciado, de fato, caracteriza um ato ilícito quanto aplicar medidas disciplinares, se for o caso.
Já estão em andamento as pesquisas científicas financiadas pela parceria CNPq/Sescoop. No ano passado, as instituições estruturaram um edital no valor de R$ 2,7 milhões. No total, das 374 inscrições de pesquisadores, 41 foram selecionadas para trabalhar questões que envolvem o desenvolvimento científico, tecnológico e a inovação no movimento cooperativista.
Uma das pesquisas é a do professor Mateus Carvalho, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), de Minas Gerais. A ideia é analisar como a vinculação de um produtor rural a uma cooperativa agropecuária pode impactar no resultado financeiro de quem tira, do campo, o sustento da família.
Segundo ele, a comunidade acadêmica vê com bons olhos a iniciativa do Sescoop em iniciar o processo de incentivo à pesquisa em um setor tão singular quanto o cooperativismo. “O fato de termos um edital para atuar com foco nas cooperativas aumenta as chances dos pesquisadores que já têm um histórico de pesquisas nessa área. Então, essa iniciativa do Sescoop é muito importante para subsidiar pesquisas mais específicas”, avalia.
Para Renato Nobile, superintendente do Sistema OCB, do qual o Sescoop faz parte, o cooperativismo, por reunir diferentes setores econômicos, representa um grande campo possibilidades para os pesquisadores. “Nós acreditamos que quanto mais as universidades e as cooperativas caminharem juntos, maior será o desenvolvimento para ambos os lados”, comenta o líder cooperativista.
Nobile ressalta, também, que é grande a expectativa do movimento cooperativista a respeito do andamento e dos avanços que essas pesquisas poderão trazer ao setor. “Temos a certeza de que o conhecimento gerado a partir do trabalho dos pesquisadores fortalecerá bastante a atuação das cooperativas e consolidará o diálogo entre a academia e a nossa base”, conclui o superintendente.
SAIBA MAIS
O edital elaborado pelo CNPQ/Sescoop contemplou 28 instituições de ensino e pesquisa, sendo que a UFV e a Universidade Federal de Santa Catarina foram as que obtiveram o maior número de bolsas concedidas: quatro, cada uma.
Os projetos têm duração de até dois anos e se enquadram nas seguintes linhas de pesquisa:
Linha 1: Impactos econômicos e sociais do cooperativismo (12 projetos)
Linha 2: Competitividade e inovação nas cooperativas (13 projetos)
Linha 3: Governança Cooperativa (10 projetos)
Linha 4: Cooperativismo e Cenário Jurídico (6 projetos)
EXTRATO
Quanto às áreas de atuação, os projetos se dividem da seguinte forma:
- Ciências agrárias: 7
- Ciências exatas e da terra: 1
- Ciências humanas: 2
- Ciências sociais aplicadas: 28
- Engenharias: 3
Fonte: Sistema OCB
O evento será realizado nos dias 11, 13, 18 e 20 de fevereiro, das 19h às 21h, no auditório da Unimed CG
A Unimed Campo Grande abriu as inscrições do 64º Curso para Gestantes, que será realizado gratuitamente em quatro encontros no mês de fevereiro. O evento é aberto à população gestante e possui vagas limitadas.
Para maximizar o aprendizado dos casais que aguardam a chegada do bebê, serão realizadas diversas palestras com especialistas das áreas de obstetrícia, pediatria, enfermagem, fisioterapia, nutrição, psicologia e anestesiologia.
Durante os encontros, os futuros papais serão munidos de informações pertinentes e essenciais sobre a escolha da via de parto; nutrição no período da gestação e de amamentação; preparação para o parto e cuidados corporais na gestação; recepção do recém-nascido na sala de parto e vacinação na infância; amamentação e cuidados com o bebê; aspectos psicológicos na gestação e pós-parto: a importância de uma rede de apoio; e anestesias em partos.
Os temas serão divididos entre os dias 11, 13, 18 e 20 de fevereiro, das 19h às 21h, no auditório da Unimed Campo Grande, que está localizada na Rua Goiás, 695 – Jardim dos Estados (entrada pela Rua da Paz).
Informações podem ser obtidas no telefone (67) 3389-2500 ou pelo e-mail
Ferramenta usa inteligência artificial para sanar dúvidas dos colaboradores durante atendimento ao público e para demandas internas; próximo passo é disponibilizá-la para uso direto dos associados
O Sicredi – instituição financeira cooperativa com mais de 4 milhões de associados e atuação em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal – tem buscado cada vez mais proporcionar melhores experiências aos associados e atendimento ainda mais rápido e eficiente. Com esse foco, a instituição acaba de implementar o Theo, um chatbot para atendimento interno que auxilia os mais de 24 mil colaboradores do Sicredi em dúvidas sobre os produtos e serviços disponíveis aos associados ou para resolver questões técnicas de infraestrutura, resetar senhas dos colaboradores nos sistemas internos.
O chatbot Theo começou a funcionar como um projeto piloto no segundo semestre de 2018 e, desde então, já atendeu 21 mil chamados. A ferramenta usa inteligência artificial do Watson (IBM) para responder perguntas enviadas pelos colaboradores e 30% dos questionamentos já são solucionados sem a interferência de um humano. O nome e a primeira identicidade visual do robô foram escolhidos por meio de votação entre os colaboradores do Sicredi.
“O Sicredi segue em expansão. Em janeiro, por exemplo, atingimos a marca dos 4 milhões de associados. Automaticamente, aumenta o número de demandas e nós precisamos suportar os colaboradores das nossas Cooperativas a manter a qualidade e a agilidade do atendimento, que sempre foram marca da instituição financeira cooperativa. Em plena era digital um colaborador não pode mais ficar pendurado no telefone aguardando uma informação. O Theo veio para resolver isso, com rapidez e eficiência”, explica Cesar Bochi, Diretor de Administração do Centro Administrativo Sicredi.
Para aumentar a satisfação com a experiência proporcionada, o Sicredi constituiu uma equipe que funciona como célula de curadoria do Theo, formada por especialistas de múltiplas áreas como tecnologia da informação, negócios digitais, cientistas de dados e conteudistas que acompanham no dia a dia os chamados realizados e treinam o robô Theo para aumentar o repertório de intenções e precisão de respostas. Segundo o Sicredi, o próximo passo é disponibilizar esta tecnologia para uso direto dos associados.
“A transformação digital é tema prioritário para o Sicredi. Nosso objetivo é levar cada vez mais inovação para as cooperativas e associados, fortalecer o sistema cooperativo de crédito e mostrar à sociedade as vantagens e benefícios de um modelo de negócios mais colaborativo, transparente e ágil no sistema financeiro”, finaliza César.
Sobre o Sicredi
O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa comprometida com o crescimento dos seus associados e com o desenvolvimento das regiões onde atua. O modelo de gestão do Sicredi valoriza a participação dos mais de 4 milhões de associados, os quais exercem papel de donos do negócio. Com presença nacional, o Sicredi está em 22 estados* e no Distrito Federal, com mais de 1.600 agências, e oferece mais de 300 produtos e serviços financeiros (www.sicredi.com.br)
*Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
Começar a guardar dinheiro para realizar o sonho da casa própria. Muito provavelmente, esta frase consta na lista de metas deste ano de milhares de brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 32% da população do país não têm casa própria quitada e a maioria vive em imóveis alugados.
Neste cenário, os consórcios têm sido uma boa alternativa para encurtar o caminho para o tão sonhado “lar doce lar”, pois, muitas vezes, acabam sendo mais vantajosos que os financiamentos. A questão é que o tempo de espera para ser contemplado – que depende da quantidade de parcelas pagas, além de uma dose de sorte, no caso de ser sorteado logo nos primeiros meses de contribuição – pode ser um “porém” para os participantes mais ansiosos.
Muita gente não sabe, mas no caso dos consórcios imobiliários, se esperar muito pelo sorteio não estiver nos seus planos, é possível deixar o processo de aquisição da casa própria ainda mais rápido com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), aquele valor equivalente a 8% do salário que os empregadores depositam todo mês na conta de cada empregado, em uma conta aberta na Caixa Econômica Federal (CEF). Desde 2009, é possível utilizar até 100% do FGTS como lance para que o valor do consórcio imobiliário seja antecipado, abreviando a espera.
Outra possibilidade é usar o FGTS para diminuir em até 80% o valor das parcelas ou liquidar a dívida do consórcio. Ainda assim, uma terceira opção pode ser mais vantajosa: muitos participantes de consórcios imobiliários usam uma parte do Fundo de Garantia como oferta de lance, acelerando a contemplação do consórcio, e a outra parte para redução das prestações seguintes.
No final de 2018, o Conselho Monetário Nacional, órgão que controla o sistema financeiro no Brasil, tomou uma medida que pode beneficiar ainda mais os participantes de consórcios para moradias novas ou usadas. O limite para utilização de recursos do FGTS para compra de imóveis por meio de consórcios passou a ser de até R$ 1,5 milhão em qualquer unidade federativa – até então, o teto era de R$ 950 mil em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, e de R$ 800 mil nos demais estados.
Embora ainda não seja do conhecimento de muitas pessoas, esses benefícios estão ajudando a movimentar o setor de consórcios imobiliários. A Administradora de Consórcios do Sicredi – ligada à instituição financeira cooperativa que possui mais de 4 milhões de associados e atua em 22 estados brasileiros e Distrito Federal –, além de ser a sexta maior administradora do Brasil, registrou crescimento de 85% na utilização do FGTS entre 2017 e 2018, sendo a maior parte para aquisição do imóvel via consórcio, seguida pela amortização das parcelas do próprio consórcio imobiliário.
O crescimento constado pelo Sicredi engrossa os dados da Associação Brasileira de Consórcios (ABAC). Segundo a entidade, entre 2010 e 2018, aproximadamente 30 mil participantes de consórcios sacaram cerca de R$ 840 milhões do FGTS para complementar o valor do crédito, ofertar lance ou reduzir parcelas – o aumento tem relação com a alteração das regras para saque do Fundo de Garantia, em 2002, que passou a permitir que o dinheiro também seja utilizado para oferta de lance e não somente para complementar carta de crédito, como era anteriormente. Ainda de acordo com a ABAC, o segmento de consórcios imobiliários cresceu 5,8% em participantes ativos, considerando janeiro a novembro de 2018, em relação ao mesmo período de 2017. Além disso, nos três primeiros trimestres do ano passado, representou 27,5% dos imóveis financiados no país.
Os consórcios para compra de imóveis têm caído no gosto popular porque não possuem juros, como nos financiamentos, e também porque são uma alternativa para fugir da burocracia da liberação de crédito. Mas, mesmo com essas vantagens, é preciso analisar muito bem a administradora que oferece o produto.
É importante considerar, por exemplo, a velocidade do fechamento dos grupos de participantes e, principalmente, a saúde financeira desses grupos, que influencia na disponibilização do crédito ao participante. Outro ponto decisivo são as taxas de administração, cobradas pela administradora como remuneração, a fim de garantir que todos os consorciados recebam o bem contemplado. A título de comparação, no Sicredi as taxas são, em média, 20% mais baixas que as praticadas pelo mercado, atualmente. Além disso, em 2018, a instituição financeira cooperativa disponibilizou 21% a mais em créditos que em 2017, contra 3,9% de crescimento do mercado no mesmo período.
Também vale ressaltar que os consórcios não são produtos para consumidores imediatistas, que precisam do bem ou serviço assim que adquirem uma cota. Caso o participante não possa dar um lance ou contar com recursos do FGTS, por exemplo, pode levar um tempo para que seja contemplado. E não podemos deixar de destacar que, além de ajudar a adquirir bens com custo reduzido, os consórcios são uma boa alternativa para desenvolver o hábito de poupar, pois exigem disciplina, programação e planejamento. Em 2019, ao tentar viabilizar o sonho da casa própria, não deixe de considerar esta opção.
*Jocimar Martins é gerente da Administradora de Consórcios do Sicredi